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Historias do Petróleo em Campos-RJ

O trecho da primeira página foi copiado da edição de 13 de dezembro de 1981 do Jornal do Brasil, e trazia consigo uma foto de Esdras Pereira, mostrando um bugre gigante transportando um sismógrafo até a Lagoa Salgada.
Entretanto, para quem for em busca dos vestígios do tempo da Petrobras, poderá ler no O Globo, na sua edição de 05 de maio de 1975, na Coluna Panorâmico Econômico, que a profecia fora cumprida. Pela coluna pode se saber que ‘um bar interrompeu a música pela metade e o locutor anunciou em edição extraordinária, voz afobada, que a Petrobrás (ainda tinha acento) acabara de informar que fora descoberto petróleo na bacia sedimentar de Campos’. ‘Sentados numa mesinha, ao fundo’, escreveu a coluna, ‘os dois velhos entreolharam-se através dos copos de cerveja. Degustaram a notícia por alguns momentos. Um começou a rir baixinho. O outro ficou quieto, sem entender’.
- Sim, senhor. E não é que o Olavo tinha razão?
- Qual Olavo? Razão de que?
- Olavo Saldanha, da fazenda Boa Vista. Acharam petróleo em Campos. O rádio disse agora, não ouviu? Que Deus o tenha na sua paz.
E ali ficaram eles, entre um e outro monossílabo, deliciando-se com o passado. Voltavam, emocionados, ao tempo do chapéu palhinha, do colete e do linho Taylor 120, quando Olavo Saldanha, fazendeiro bem sucedido de Campos dos Goytacazes, em 1922, resolvera fazer perfurações na área do Farol de São Tomé a 80 km do atual campo de Garoupa, à busca de petróleo’.
A história conta que para o fazendeiro Olavo Saldanha, a fazenda que pertencera a Pinheiro Machado, adquirida à viúva desse logo depois da sua morte, tinha que ter petróleo. Na época, juntou-se a um técnico americano e começou as sondagens num local, que ais tarde foi chamada de Alto do Querosene. Os exames de laboratório deram pistas de que da existência de petróleo.
Registros informam que o material aplicado era bem primitivo em comparação com os equipamentos de então. No lugar das sofisticadas ‘árvores de Natal, dos navios-sonda e das plataformas submarinas, Olavo Saldanha utilizava uma torre de madeira com pequenos motores movidos a óleo cru para mover a broca. Outros registros históricos dizem que, depois de perfurar 500 metros, um dia todo o equipamento voou pelos ares seguido de uma violenta explosão, quando então o engenheiro americano impôs ao fazendeiro Olavo Saldanha vendesse o sub-solo. Olavo se recursos, e ainda exigiu que qualquer empresa que ali viesse explorar, lhe deveria ceder 55% das suas cotas. O ‘desentendimento dos ‘sócios’ acabou levando a lacração do poço com cimento e chumbo derretido’.
Colaborador: Jorge Werthein

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